APRESENTAÇÃO
A Gestão responsável
e sustentada dos recursos naturais e o respeito à
preservação da identidade cultural de populações
nativas tem servido de instrumento de pressão aos
anseios e necessidades desenvolvimentistas de muitos
países
O Brasil devido a
sua dimensão continental e situação geográfica,
tem sido alvo de boa parte destas pressões externas,
seja de instituições multilaterais de crédito e
cooperação ou de governantes dos países
desenvolvidos, seja dos cidadãos através da
imprensa ou de seus representantes, as organizações
não governamentais. Igualmente poderosas e legítimas
são as pressões internas que obrigam o país a
utilizar seu patrimônio em favor dos brasileiros que
espontaneamente migram do sul para o norte e do leste
para o oeste atraídos pela esperança de um mundo
melhor.
O simples
reconhecimento de algumas práticas adotadas na
expansão das fronteiras em busca do crescimento econômico
são nocivas ao meio ambiente e ao homem, não é
suficiente. É preciso aceitar o desafio de promover
mudanças na política governamental de
desenvolvimento e encontrar alternativas para os
modelos até agora adotados.
Toda liderança
corresponde uma parcela de responsabilidade e, neste
quadro, a indústria de turismo e viagens, líder
mundial em movimentação de recursos e geração de
empregos, que depende umbilicalmente de uma gestão
sustentada dos patrimônios natural e cultural, cruza
com o caminho do Brasil, maior país tropical do
mundo, proprietário e gestor do maior banco de
diversidade do planeta. Desta relação surge o
ecoturismo como um dos mais inteligentes instrumentos
de viabilização econômica para o gerenciamento
correto dos recursos naturais, oferecendo aos
brasileiros uma alternativa digna de conquistar seu
sustento e uma vida melhor, ao mesmo tempo que
assegura às gerações futuras acesso aos legados da
natureza.
No entanto, para
que o ecoturismo possa efetivamente constituir uma
estrutura sólida, acessível e permanente, é
preciso que esteja alicerçado em diretrizes
coerentes com o mercado, tecnológicamente adequadas
e democraticamente discutidas, de forma a acomodar as
peculiaridades de cada ecossistema e de cada traço
da cultura popular brasileira.
Assumir este nível
de responsabilidade com o Brasil e com o mundo,
estabelecer este tipo de alicerce e dar a esta
atividade, aparentemente irrelevante, a visão de
prioridade estratégica do ponto de vista social,
econômico e ambiental foi a atitude do Governo
Itamar Franco, cujo compromisso maior é construir a
plataforma de lançamento da qual nosso país será
alçado á posição de destaque que com justiça lhe
pertence no contexto internacional.
SUMÁRIO

A indústria do
turismo é, na atualidade, a atividade que apresenta
os mais elevados índices de crescimento no contexto
econômico mundial. Movimenta cerca de US$ 3,5 trilhões
anualmente e, apenas na última década, expandiu sua
atividade em 57%.
O ecoturismo, na
indústria de turismo e viagens, é o segmento que
apresenta maior crescimento, resultando no incremento
das ofertas e demandas por destinos ecoturísticos.
No Brasil, o
ecoturismo é discutido desde 1985. No âmbito
governamental, a primeira iniciativa de ordenar a
atividade ocorreu em 1987 com a criação da comissão
técnica nacional, constituídos por técnicos do
Instituto Brasileiro e dos Recursos Naturais Renováveis
- IBAMA e Instituto Brasileiro de Turismo - EMBRATUR,
para monitorar o Projeto de Turismo Ecológico, em
resposta às práticas existentes na época.
No entanto, tanto
os esforços governamentais como privados não foram
suficientes para ultrapassar as barreiras, até hoje
existentes, entre a teoria- principalmente em relação
aos modelos nacionais - e a prática do ecoturismo.
Pontificam-se entre
essas barreiras a ausências de consenso sobre a
conceituação do segmento, a falta de critérios,
regulamentações e incentivos que orientem empresários,
investidores e o próprio governo, no estímulo e na
exploração do potencial das belezas naturais e
valores culturais, ao mesmo tempo em que promova a
sua conservação.
Em conseqüência,
o ecoturismo praticado no Brasil é uma atividade
ainda desordenada, impulsionada, quase que
exclusivamente, pela oportunidade mercadológica,
deixando a rigor, de gerar os benefícios sócio-econômicos
e ambientais esperados e comprometendo não raro, o
conceito de imagem do produto ecoturístico
brasileiro nos mercados interno e externo.
Essas razões, em
especial, motivaram o Ministério da Indústria e do
Comércio e do Turismo do Meio Ambiente e da Amazônia
Legal a instituir, pela Portaria Inter-ministerial Nº
001, de 20 de abril de 1994, Grupo de Trabalho,
integrado por representantes destes Ministérios, do
IBAMA e EMBRATUR para desenvolver e propor uma política
e um Programa Nacional de Ecoturismo.
O grupo de Trabalho,
seguindo orientação emanada dos respectivos Ministérios,
promoveu durante seus trabalhos, ampla discussão
acerca do ecoturismo, com os mais diversos segmentos
interessados governamental e privado. Para tanto,
adotou a seguinte metodologia de trabalho:
a) pesquisa e análise
de documentos, informações e sugestões oriundas do
setor turístico e ambiental;
b) realização de
reunião de trabalho com a presença de
representantes do SEBRAE, SUDAM, UNESCO, Associação
Brasileira de Ecoturismo, SENAC, BNB, E BASA;
c)realização de
oficina de planejamento promovida em Goiás Velho, GO,
obedecendo à metodologia ZOPP, que contou com a
participação de representantes do MICT, MMA,
EMBRATUR, IBAMA, MEC, organizações não
governamentais, empresários e consultores. Durante
cinco dias, o grupo centrou suas discussões na
conceituação de ecoturismo, na análise da situação
atual e nas necessidades de ação para o
desenvolvimento ordenado do ecoturismo no Brasil.
Como resultado
dessa participação multidisciplinar, o presente
documento pretende nortear o desenvolvimento regional
de ecoturismo e servir como base para uma implantação
de uma Política Nacional de Ecoturismo no Brasil que
assegure:
- à comunidade:
melhores condições de vida e reais benefícios;
- ao meio ambiente:
uma poderosa ferramenta que valorize os recursos
naturais;
- à nação: uma
fonte de riqueza, divisas e geração de empregos;
- ao mundo: a
oportunidade de manter para as gerações futuras o
patrimônio natural dos ecossistemas onde convergem a
economia e a ecologia.
II.
MARCOS REFERENCIAIS PARA UMA POLÍTICA DE ECOTURISMO
NO BRASIL
1.
Turismo Mundial
Segundo o Conselho
Mundial de Viagens e Turismo, que congrega as maiores
empresas multinacionais do setor, o mercado turístico
como um todo empregou em 1991 nada menos que 183 milhões
de pessoas. Para 1994, estima-se um crescimento de 10,6%,
ou seja, 204 milhões de empregos, correspondendo a
um em cada nove trabalhadores no mundo.
No período 1985/1993,
apesar da recessão mundial, o número de turistas
que empreendeu viagens internacionais passou de 380
para 500 milhões. A Organização Mundial de Turismo
estima que este número atingirá 534 milhões em
1994 e 661 milhões no ano 2000.
No que concerne aos
ganhos financeiros provenientes do turismo
internacional, excetuando-se o setor de transportes,
o crescimento entre 1970 e 1993 foi de US$ 18 bilhões
para 324 bilhões.
A Europa, de acordo
com dados disponíveis de 1992, detinha 52% dos
ingressos, seguida pelas Américas com 27%, pelo
extremo Oriente e Pacífico com 16% e pela África e
Oriente Médio e outras regiões com a porcentagem
restante.
Verifica-se assim,
que o turismo se impôs nos últimos anos como um
recurso comercial de expressiva importância,
disputando com o petróleo a primazia do mercado
mundial.

1.1
Segmentação do Turismo
O turismo como uma
atividade econômica sofre, também, inovações
constantes, em face da competitividade dos mercados e
das exigências de demanda.
Em vista disso, as
empresas de turismo estão à caminho da especialização,
deixando de ser generalistas, e passam a oferecer
produtos segmentados, destinados a uma clientela
específica.
Nessa segmentação
são colocadas à disposição dos turistas diversas
opções, como por exemplo:
- Turismo Cultural
- Turismo esotérico
- Turismo da maior
idade
- Turismo esportivo
- Turismo náutico
- Ecoturismo
O ecoturismo, em
especial, configura-se no momento como uma importante
alternativa de desenvolvimento econômico sustentável,
utilizando racionalmente os recursos naturais sem
comprometer a sua capacidade de renovação e sua
conservação. Neste segmento, diversos nichos de
mercado são identificadas como por exemplo, a
observação de aves, safáris fotográficos, observação
de flora entre outras atividades.
2.
Panorama Internacional do Ecoturismo
Do ponto de vista
mercadológico,o ecoturismo é um segmento que tem
crescido a um ritmo considerável ao longo dos anos.
Apesar da ausência de estatísticas oficiais
relativas à dimensão deste mercado, estima-se que
10% das pessoas que viajam sejam ecoturistas. Porém
a inexistência de uma definição globalmente aceita
para o ecoturismo e o conseqüente enquadramento das
atividades que devem ser consideradas neste segmento
vem dificultando estudos abalizados e conclusivos
sobre a matéria.
Há no entanto,
consenso entre os empresários de que este é um
mercado em franca expansão, sendo estimulado o seu
crescimento em cerca de 20% ao ano, conforme
resultados obtidos em entrevistas realizadas entre
operadores turísticos especializados e peritos na
observação do crescimento de agências operadoras
de ecoturismo.
Além dos fatores
mencionados, a concientização da sociedade
relativamente às questões ambientais tem contribuído
para o crescimento da demanda por atividades ecoturísticas.
De fato, a forte percepção mundial acerca da
necessidade urgente de proteção e recuperação dos
recursos naturais, originária, principalmente, da
disseminação dos movimentos conservacionistas
empreendidos por grupos ambientalistas,forças políticas
e meios de comunicação, acaba por influenciar a
escolha dos destinos.
Entretanto, a
oferta dos destinos ecoturísticos depende
essencialmente, da existência de áreas de elevado
valor ecológico e cultural, da maneira como essas áreas
são geridas, da existência de infra-estruturas
adequadas e da disponibilidade de recursos humanos
capacitados.
Exemplos podem ser
mencionados de países que oferecem destinos ecoturísticos
adequados, obtendo, com isso, valores significativos
de divisas com seus parques nacionais.
O Quênia obteve em
1988 com o turismo, que é a atividade que mais rende
divisas para o país, US$ 400 milhões. Este país,
inclusive, desenvolveu um modelo de valoração sobre
a atração turística de animais do Parque Nacional
Amboseli, no qual um leão vale US$ 27 mil anuais,
enquanto o valor de uma manada de elefantes é de US$
610 mil.
Em Ruanda, os
turistas que desejam ver gorilas no Parque Nacional
dos Volcans despendem anualmente, US$ 1 milhão em
ingressos e de US$ 2 a 3 milhões em outros gastos.
Nos países
desenvolvidos, o ecoturismo é uma atividade ainda
mais vantajosa. Apenas o sistema de parques nacionais
nos Estados Unidos, considerado como a maior rede de
atração natural do mundo, recebeu mais de 270 milhões
de visitantes em 1989. Já os parques estaduais
atraem mais de 500 milhões de visitantes.
No que se refere
aos visitantes dos parques nacionais e estaduais dos
Estados Unidos, cerca de 29,5 milhões de americanos,
com idade superior a 16 anos realizaram viagens com a
finalidade primordial de observar e fotografar a
fauna. a observação de aves foi a atividade
recreativa mais importante, atraindo 25 milhões de
pessoas.
Para a América
Latina, onde o ecoturismo começa a despontar, a
atividade se reveste de extrema importância para os
esforços nacionais de promoção do desenvolvimento
econômico e social. O adequado aproveitamento dos
variados ecossistema existentes, ainda pouco
explorados, propiciará a abertura de novas
alternativas econômicas e a conseqüente melhoria
das condições de vida das populações envolvidas,
além de reduzir os impactos negativos causados pelo
turismo tradicional, devido ao perfil e às
expectativas dos visitantes que normalmente viajam em
pequenos grupos em comparação com o turismo de
massa.
Com o objetivo de
obter um melhor entendimento sobre o ecoturismo na América
e no Caribe, foi realizada uma pesquisa, em 1988,
junto a turistas que visitavam o México, Belize,
Costa Rica, República Dominicana e Equador.
Nos cinco países
estudados, 58% do total de turistas consultados
revelaram o nome de um parque ou uma área protegida
que teriam visitado. Desse grupo, 28% visitaram 2
parques e 13% visitaram 3. Esses números apontam que
um elevado percentual de turistas, independentemente
das razões que apresentam para visitar um país,
freqüentam parques nacionais, comprovando a
indissociável afinidade entre essas unidades do
ecoturismo.

3. O
Potencial Ecoturístico Brasileiro
O Brasil tem a
superfície de 8.511.596,3 Km2. No âmbito dessa
extensão continental abrange desde regiões
equatoriais ao norte até áreas extra-tropicais ao
sul, diferenciadas climática e geomorfologicamente,
com uma extraordinária diversidade ecológica.
Incluído dentre os
países de mega diversidade, detém um número entre
10% e 20% do total de espécies do planeta. Esta
riqueza conhecida corresponde a 22% da flora, 10% dos
anfíbios e mamíferos e 17% das aves do mundo.
A superfície
territorial brasileira abriga diferentes ecossistemas,
destacando-se:
- Floresta
Amazônica.
A Amazônia Central
abriga o maior complexo hídrico-fluvial da Terra,
com cerca de 7 milhões de Km2, sendo uma região de
dimensões continentais. A Hiléia brasileira com
cerca de 3,3 milhões de Km2 sobrepõe-se em grande
parte, à área da bacia hidrográfica do Rio
Amazonas e caracteriza-se por abrigar grande riqueza
biológica, com enorme diversidade de flora e fauna.
É considerada uma das últimas reservas biológicas
do planeta.
- Mata Atlântica
Engloba um
diversificado mosaico de ecossistemas florestais com
estrutura e composições florísticas bastante
diferenciadas, acompanhando a diversidade de solos,
relevos e características climáticas da vasta região
onde ocorre. Esses ecossistemas são caracterizados
por uma grande diversidade biológica e altos graus
de endemismo de flora e fauna.
- Cerrado
É o segundo maior
bioma do Brasil e da América do Sul, ocupando mais
de 2 milhões de Km2 e abriga um rico patrimônio de
recursos naturais renováveis, adaptados às duras
condições climáticas e hídricas, que determinam
sua própria existência.
- Pantanal
O Pantanal é a
maior área de terras inundáveis da América do Sul,
compreendendo a totalidade da bacia do Alto Paraguai,
uma área de 496 mil Km2, dos quais 393 estão
localizados no Brasil.
A porção
brasileira da Bacia abrange dois ecossistemas
independentes: a parte baixa da Bacia - planícies de
inundação - e a parte alta da bacia - ou margem/
borda onde vivem inúmeras espécies, desde endêmicas
até migratórias.
- Caatinga
ou Semi-árido
A caatinga cobre
aproximadamente 825.143 Km2 do Nordeste e Vale do
Jequitinhonha, em Minas Gerais, apresentando planícies
e chapadas baixas.A vegetação é composta de
vegetais lenhosos, misturados com grande número de
cactos e bromélias. A secura ambiental, pelo clima
semi-árido e sol inclemente impõe hábitos noturnos
ou subterrâneos. Répteis e roedores predominam na
região. Entre as mais belas aves estão a arara azul
e o acauã um gavião predador de serpentes.
- Floresta
de Araucária
A Floresta de Araucária,
também conhecida como "Complexo dos Pinhais",
pela predominância do pinheiro brasileiro, constitui
uma formação vegetal heterogênea: matas de araucárias
(pinhais), campos paredões rochosos vegetados
formando escarpas de até 300m de queda livre.
- Campos do
Sul
Os campos da Região
Sul do Brasil são denominados "Pampas",
termo de origem indígena para "região plana".
Esta denominação no entanto, corresponde somente a
um dos tipos de campo. Outros tipos conhecidos como
do alto da serra, são encontrados em áreas de
transição com a floresta de Araucária. Em outras
áreas encontra-se também, um campo de fisionomia
semelhante à savana. Merecem destaque os campos
inundáveis, como é o exemplo do "Banhado do
Taim". Esses campos são importantes reservas
naturais da vida selvagem.
3.1 Áreas
Protegidas
A primeira vista
pode parecer que este universo de unidades de
conservação é suficiente para proteger não só as
amostras significativas dos ecossistemas brasileiros
como para garantir e perenidade e a biodiversidade.
Entretanto, existem
áreas de enorme importância que não estão
protegidas, apesar de já terem sido indicadas para
proteção. Há que se ampliar esta rede de unidade
de conservação levando-se em conta a sua
fragilidade, o grau de ameaça de destruição e sua
importâncias para a conservação de espécies raras
ou ameaçadas de extinção.
Ao lado da insuficiência
do número de áreas protegidas há também o grande
problema da implantação das áreas já existentes e
criadas legalmente.
A deficiência de
pessoal em número e qualificação, a falta de
realização fundiária das áreas de uso indireto e
a inadequada infra-estrutura exigem do poder público
uma ação imediata para proteger adequadamente estas
áreas e fazê-las cumprir seu importante papel ecológico
e social.
E justamente em
algumas destas áreas protegidas, em especial nos
Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, nas
Florestas Nacionais, nas Áreas de Proteção
Ambiental - APA'S onde se opera o ecoturismo. São
elas os primeiro destino ecoturístico procurado
pelos fluxos nacionais e internacionais.
É importante
assinalar que em algumas áreas protegidas, como
reservas biológicas e estações ecológicas, não
se opera o ecoturismo devido à fragilidade destes
ecossistemas onde a visitação é incompatível com
os objetivos de manejo preconizados por estas
Unidades de Conservação.
O conjunto de
Unidades de Conservação sob jurisdição federal, a
exceção das reservas biológicas e estações ecológicas,
somadas as áreas protegidas estaduais e municipais e
às propriedades particulares adaptadas para fins turísticos,
oferecem , juntamente com a rica diversidade cultural,
condições excepcionais para o desenvolvimento do
ecoturismo no Brasil.

4.
Impactos do Ecoturismo
Os impactos
negativos e positivos poderão advir da atividade de
ecoturismo estão, a princípio, relacionados a danos
potenciais ao meio ambiente e á comunidade e, por
outro lado, aos prováveis benefícios sócio-econômicos
ambientais regionais e nacional.
Com efeito, a
fragilidade dos ecossistemas naturais, muitas vezes,
não comporta o número elevado de visitantes e,
menos ainda suporta o tráfego excessivo de veículos
pesados. por outro lado a infra estrutura necessária,
se não atendidas normas pré-estabelecidas, pode
comprometer de maneira acentuada o meio ambiente, com
alterações na paisagem, na topografia, no sistema hídrico
e na conservação dos recursos naturais florísticos
e faunísticos.
O alijamento das
populações locais se configura, também, como outro
risco, pois a presença de operadores, quase sempre
sem nenhuma relação orgânica com a região, pode
gerar novos valores incompatíveis com o
comportamento local, ocasionando conflitos de
culturas.
Em contrapartida
aos riscos ambientais e comunitários, o ecoturismo
apresenta significativos benefícios econômicos,
sociais e ambientais, tais como:
- diversificação
da cultura regional, através da indução do
estabelecimento de micros e pequenos negócios;
- geração
local de empregos;
- fixação da
população no interior;
- melhoria das
infra-estruturas de transporte, comunicações
e saneamento;
- criação de
alternativa de arrecadação para as Unidades
de Conservação,
- causa menor
impacto sobre o patrimôio natural e cultural,
- causa menor
impacto no plano estético paisagístico,
- possibilita
melhoria nos equipamentos das áreas
protegidas.
Dessa forma, a
compatibilidade do ecoturismo com o dimensionamento
do número de visitantes e do fluxo de transporte, a
adoção de parâmetros para a implantação de infra
estrutura, o respeito e a valorização da cultura
local são condições básicas e imprescindíveis
para o desenvolvimento harmônico da atividade no
Brasil.
III.
CONCEITUAÇÃO
A atividade do
ecoturismo deve abranger, com sua conceituação, a
dimensão do conhecimento da natureza, a experiência
educacional interpretativa, a valorização das
culturas tradicionais locais e a promoção do
desenvolvimento sustentável.
Desta forma, para
fins de implementação de uma política nacional,
conceitua-se ecoturismo como:
"UM SEGMENTO
DA ATIVIDADE TURÍSTICA QUE UTILIZA DE FORMA SUSTENTÁVEL,
O PATRIMÔNIO NATURAL E CULTURAL, INCENTIVA SUA
CONSERVAÇÃO E BUSCA A FORMAÇÃO DE UMA CONSCIÊNCIA
AMBIENTALISTA ATRAVÉS DA INTERPRETAÇÃO DO AMBIENTE,
PROMOVENDO O BEM ESTAR DAS POPULAÇÕES ENVOLVIDAS".
O crescente
envolvimento da sociedade nas questões ambientais,
pressionando governos e instituições para o
estabelecimento de requisitos cada vez mais rígidos
quanto ao impacto ambiental na implantação de
empreendimentos, aliado a uma crescente busca do
homem por uma relação íntima e freqüente com a
natureza, recomenda a não restrição do conceito de
ecoturismo, de forma a acompanhar a dinâmica deste
segmento. A atividade de ecoturismo passa, atualmente,
por uma transição de "produto turístico"
para um "conceito de viagem", sendo que os
componentes da definição podem vir a ser
integralmente absorvidos por outros segmentos ou
atividades do turismo, que talvez hoje não sejam
considerados ecoturísticos, mas cuja evolução deve
ser incentivada.

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